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ortorexia

Que me perdoem as nutricionistas, mas quem me acompanha sabe que eu evito usar o termo “dieta”, né?! Quando se fala em dieta, geralmente somos remetidos a restrição, sofrimento, privação. E sabemos que viver assim não é saudável e nem sustentável em um processo de emagrecimento.

Mas quando tudo isso vira uma patologia? Já falei sobre anorexia e bulimia aqui no blog, e hoje vou falar sobre ortorexia. A ortorexia é um distúrbio do aspecto alimentar ainda não reconhecido pelos manuais diagnósticos e estatísticos de transtornos mentais, que tem como principal característica a obsessão pelo comer saudável. As pessoas com este quadro apresentam uma preocupação excessiva com a qualidade da alimentação limitando a variedade, e acabam assim excluindo certos grupos como carnes, laticínios, gorduras, carboidratos, sem fazer a substituição adequada, o que pode levar a quadros de carências nutricionais ou a um quadro completo de distúrbio da conduta alimentar.

Pessoas ortoréxicas são caracterizadas por:

  • Dedicar mais de 3 horas do dia pensando no seu plano alimentar
  • Preocupar-se mais com a qualidade da comida do que o prazer de consumi-la
  • Diminuir qualidade de vida, conforme aumenta a pseudoqualidade da alimentação
  • Sentir-se culpada por não cumprir os rituais alimentares
  • Planejar excessivamente o que comerá no dia seguinte
  • Isolar-se socialmente a fim de evitar alimentos “impuros”

E como é desenvolvida a ortorexia?

O indivíduo ortoréxico inicia uma busca obsessiva por condições de alimentação saudável. As informações são obtidas geralmente através dos meios de comunicação e redes sociais, e em sua maioria, se trata de informações distorcidas e exageradas. Assim, o indivíduo passa a fazer suas escolhas com base em tais informações, excluindo muitos alimentos – começando com aqueles considerados impuros como corantes, conservantes, gorduras trans, açúcar, sal, agrotóxicos, pesticidas, alimentos transgênicos, entre muitos outros, levando-o até a exclusão de grupos de alimentos considerados importantes para uma nutrição adequada.

O indivíduo pode também passar a associar uma preocupação exacerbada com a forma de preparo e os utensílios utilizados na preparação dos alimentos. Comer fora de casa passa a ser um transtorno, evitam reuniões sociais para não correrem o risco de ingerir outro tipo de produto e se sentem muito culpados se “quebrarem as regras”. O contrário também é verdadeiro: sentem uma sensação confortável ao fazer um prato elaborado exclusivamente com produtos orgânicos, ecológicos, bio ou com determinados certificados de salubridade. Procuram ter o controle sobre tudo que consomem (desde a compra ou colheita até o preparo do alimento).  Acabam se isolando para conseguir se alimentar dessa forma saudável ou com alimentos considerados “puros”, deixando dessa forma de manter suas atividades sociais. A alimentação “saudável” acaba tomando conta da sua vida a um nível patológico.

A ortorexia costuma ocorrer mais em mulheres e adolescentes. Pessoas rígidas, controladoras, exigentes consigo e com os outros tendem a apresentar esse distúrbio. Comportamentos obsessivos compulsivos caracterizam o perfil do paciente. É importante lembrar que, para se fazer o diagnóstico, é necessário uma consulta a um profissional especialista em transtornos alimentares (psicólogo ou psiquiatra) e um conjunto de sintoma deve ser apresentado, não apenas sintomas isolados.